segunda-feira, 22 de agosto de 2016

PAUSA

http://milarga.blogspot.com.br/2016/08/manic-pixie-dream-girl.html



Não fui eu quem escreveu, mas poderia.
(exceto pela parte do L, porque eu infelizmente ainda estou na parte de ser a vaca que destruiu o coração ou a moça maravilhosa que, infelizmente não foi feita pra namorar)


update, 19h19:

http://www.naoseilidar.com.br/2016/08/telegram-na-vida.html

Não fui eu quem escrevi, mas poderia. Porque eu programei alguns posts aqui bem daoras no mesmo nível "blogueira se descuida e deixa a carência a mostra", fiquem ligadinhos.

domingo, 21 de agosto de 2016

You and me, I can see us dying

A Gwen Stefani e o Toni Kanal namoraram por sete anos e, quando terminaram, continuaram trabalhando juntos no No Doubt. Ela fez "Don't speak" pra ele e foi um baita dum sucesso porque, vamos combinar... É uma letra maravilhosa sobre fim de relacionamentos, só quem tem um chuchu no lugar do coração não se identifica.
Dia desses, enquanto eu botava pra fora numa conversa o quanto eu sou grata aos dois por terem acabado esse relacionamento - se era isso o que era necessário para Don't speak ser composta e gravada e virar o hit que é - um amigo me mandou uma reportagem dizendo que foi completamente terrível para os dois tocarem essa música durante os shows do No Doubt no começo.
Pudera, né?
Imagina você sair em turnê por VINTE E OITO MESES vendo o seu ex-namorado/sua ex-namorada cantando sobre corações partidos e - tan tan tan - foi você quem partiu.
Foda, né?
Pois então.

You and me used to be together, everyday together, always


Eu acho que atualizei minhas definições de fossa e agora vou usar o padrão "Tá, mas tá sofrendo tanto quanto a Gwen e o Kanal tendo que tocar Don't speak e falar dos sentimentos na frente de todo mundo?"
Não. Não estou. E nem ganhando os rios de dinheiro que eles ganharam nesse tempo todo. Caralho, se eu pudesse capitalizar em cima dos meus fracassos amorosos eu estaria RYCA hoje em dia. RYCAAAAAAAAA.

Mas enfim... Eu só fiz esse comecinho porque preciso falar sobre - isso mesmo - FOSSA.
Então vamo lá, vamo mulekada.

__________


Fossas.
Segundo a Wikipédia, quando eu falo de Fossas posso estar me referindo a:

Fossa (anatomia) - elemento anatómico
Fossa oceânica - fossas oceânicas
Fossa (construção) - espaço físico para armazenar detritos (ex: fossa séptica) oriundos de esgotos ou para enterrar defuntos
Fossa olímpica - modalidade de Tiro Esportivo
Fossa (animal) - carnívoro de Madagascar


Mas, como esse blog não é da área de biológicas, não pratica mais a modalidade "namoro com engenheiros", se fosse um animal seria um coala e não um tigrão daora e, embora falar de uma fossa no último dia das Olimpiadas seria um trocadilho que eu totalmente faria, não é de nenhum desses que eu tô falando.

Eu tô falando é de FOSSA DE CORAÇÃO PARTIDO, meus queridos. Daquelas que a gente sente quando alguma coisa na vida amorosa dá errado e a gente se sente só o chicletinho grudado nos vincos do tênis. Sabem como é?
Então.
QUEM NUNCA, né?

Como eu não sei capitalizar em cima das minhas frustrações amorosas, eu faço um ritual bem mais pobre e comum pra sair da fossa. Comigo tem sido eficiente vou passar as coordenadas pra vocês. Porque eu sou legal. 


COMO SAIR DA FOSSA
um Guia por Beatriz Lourenço

1. Vista a fossa como se fosse um moletom confortável e gostoso num dia de frio, chuva e sdds.

Sério, Aceita que dói menos. Você tomou um pé na bunda? O paquerinha te deixou na mão? O amor da sua vida está casando e você não recebeu uma mensagem num cantinho rabiscado no verso do convite de casamento dizendo que ele está casando, mas o grande amor da vida dele é você? Tá tudo errado na sua vida amorosa e você já cogitou seriamente largar tudo e desistir dessa coisa de amor?
Tudo bem, fera. Acontece. De verdade. Pega toda essa fossa e vive de uma vez. Chora se tem que chorar, Amaldiçoa todas as pepecas e/ou pirocas que já existiram no mundo. Diz que ninguém presta nessa vida e que tudo vai dar errado sempre. Diz que foi injustiçado. Diz que o cara/a moça jogou fora o amor que você deu e que isso não se faz. Extravasa. Faça mais drama em um dia do que a companhia Wolf Maia de Teatro em toda a sua existência. Tá liberado.


2. Alugue um amigo
Você conhece um amigo de verdade nos momentos de fossa e tristeza. Amigo bão é o que te escuta fazer todo o drama, te vê chorar e ficar ranhento e esconde o nojinho, te oferece colo, carinho e concorda com você sobre como é injusto o modo como as coisas aconteceram. Não é momento de brigar, de falar que você foi errado. Amigo bom, nesse momento, é o que te deixa soltar os cachorros e não fala nada que faça você refletir. Não é pra mudar o mundo, é só pra liberar a coisa ruim.

3. Ouça música de fossa
Faz parte do "sentir intensamente" e não fingir que tá tudo bem quando não tá. Eu tenho três playlists pra esses momentos dependendo do NÍVEL e do MOMENTO da fossa:

Aqui é pra quando o bagulho tá intenso, o bagulho tá louco, você tá há três dias sem sair de casa, usando o mesmo moletom e não tem a menor intenção de fazer qualquer coisa, exceto se afundar nessa fossa gostosinha e sentir toda a vontade de morrer de uma vez só.
São as músicas mais tristes, o puro creme de sofrimento. Uma curadoria especial do Amigo com alma russa, que é o maior fã de música triste de cortar o coração que eu já vi.

Pra quando rolou uma canalhice maior, pra quando você caiu de boca no asfalto e quebrou o dente da frente, pra quando você tá só o durex descolando. Pra quando você sente vontade de bater em casaizinhos felizes na rua (e não pode fazer isso, tá? EXISTEM LIMITES) e está começando a sentir RAIVA, embora a tristeza ainda esteja ali.

Para quando é uma fossa leve, por uma paixonite boba e coisas que são meio foda de explicar o porquê você entrou na fossa pra começo de conversa (não explica, só sente). Ou pra quando você já passou pelos dois momentos anteriores e já tá superando, mas ainda não tá 100% curado (pode demorar) e de vez em quando tem uma recaída.


4. Releia sua saga literária predileta
Toda vez que eu  percebo a fossa amorosa chegando eu me apego ao Harry Potter, de modos que os amigos mais próximos me vêem com um livro do bruxinho e já sabem que estou lidando com uma fossa. Não há fossa que dure o tempo que levo pra ler os sete livros, no ritmo que eu leio os sete livros. O primeiro é numa tacada, no máximo dois dias (dependendo do dia da semana que eu começar a ler). O segundo, uns quatro dias, O terceiro, idem. Do quarto pra frente eu demoro mais, saboreio mais, fico triste de novo com as mortes e com as cagadas do Harry na fase fossa (da vida, né? Que fodido que o Harry ficou depois dos 15, puta merda. Juntou a adolescência, a responsabilidade que o menino tem com o mundo bruxo, o fato de só ter adultos irresponsáveis perto dele e... Que fase, sabe?). Não há fossa amorosa que resista a ler novamente os trechos das mortes do Sirius, da Edwiges, do Dobby, do Fred e de todo mundo que morreu (não vou citar as mortes mais doloridas. PLMDDS, JK... PRECISAVA MATAR OS DOIS, SUA SEM CORAÇÃO?).
Não há.
Eu já li todos os livros (em PT e EN) mais de uma vez, sei exatamente o que vai acontecer (algumas vezes sei até as frases) e mesmo assim sinto intensamente tudo. Não é mais novidade, mas é INTENSO e eu sei como vai terminar. Harry Potter é tudo o que eu preciso quando a minha amorosa parece um catadão com restos da geladeira que a gente faz quando não tem exatamente muita coisa pra fazer na geladeira.


5, Quando a fossa estiver passando, faça um MEA CULPA
Porque ninguém é 100% culpado e 100% inocente nas cagadas que a gente faz e sofre. A gente SEMPRE tem culpa. Chama o amigo lá de cima de novo, lá do começo, e pede a opinião dele sobre a situação. Tem que ser um amigo DOS BÃO, que te conhece e não tem medo de falar o que você precisa ouvir. Conversa com ele, vê o que poderia ter feito de diferente, o que você poderia ter evitado, o que você fez certinho... Passa essa história a limpo, porque aí você não vai acordar 5 anos depois duas e meia da manhã lembrando de uma detalhe que você deixou passar e fez a pessoa ser uns 70% menos canalha do que parecia na época. Esse rebote de fossa de vez em quando é pior do que a fossa em si, então tente evitar que ela aconteça.


6. Respeite seu tempo
Não force as coisas. Sério. Se tiver que sofrer um caralhão de meses, sofra. Se você quiser morrer durante um dia todo e no dia seguinte já se sentir bem o suficiente pra se apaixonar de novo, tudo bem também. Lembrando aqui que estamos falando de fossa amorosa, não de fossa olímpica, e você não vai ganhar uma medalha se demorar mais ou menos pra se recuperar. Sério. Não força as coisas.



E, no fim das coisas, aceita que você (e eu e todo mundo) jamais sairemos tão bem de uma fossa quanto a Gwen Stefani (de novo essa mulher, cara!)  - que fez uma música pra falar pro mundo que ela e o Tony tão de boa hoje em dia. Sério. Eu nem tento mais, essa mulher é um sucesso no quesito superar pé na bunda. Deus abençoe - e que qualquer jeito que a gente der, desde que dê certo, é muito válido. O importante é superar, moçada. Sempre tem outro moço/ outra moça pronto pra destruir o nosso coração de novo depois que a gente se colocar em pé. 

Segue o jogo.

domingo, 31 de julho de 2016

quinta-feira, 21 de julho de 2016

(13 de julho de 2013) Ainda me lembro de tudo o que eu quero esquecer

Em 2013 eu li "O Lado bom da Vida" e devo confessar que fez muito sentido pra mim.



Depois do meu primeiro namoro, aquele com o cara com quem eu fiz planos de casar, fiz uma casinha no The Sims e mostrei pra ele (estudante de engenharia civil) pra falar como eu queria que fosse a nossa casa e todas essas babaquices que só gente que se apaixona e acha que vai se casar antes dos 20 anos faz, eu me tornei meio cínica e cética com relação aos romances em geral.
Esse "No fundo eu sou otimista, mas eu sempre imagino o pior" é basicamente sobre essa minha postura de saber que as coisas acabam e torcer pra que elas acabem do jeito menos merdoso possível.

#meujeitinho

Daí que isso foi em 2010 e em 2011 teve o Pirituba, que foi um "meio namoro" - já que rolava uma fidelidade, mas não o rótulo de namoro (eu fui do ponto de acreditar em casamento antes dos 20 anos ao ponto de acreditar que todo mundo ia morrer sozinho mesmo, foda-se, vamos zoar essa birosca toda em pouquíssimo tempo, foi uma loucura) e ele nunca foi apresentado aos meus pais como meu namorado. Acabou, é claro, porque tudo o que é feito pela metade e nas coxas não pode ter um resultado bom. Depois teve o 9inho (e não lembro, sinceramente, se já falei dele aqui), que me fez entrar ainda mais nesse lance de "foda-se, vamos zoar essa birosca toda" e depois 2012, o ano das mudanças e das viradas (e meu mini período de isolamento).

Ai que em 2013, já na nova graduação, já marromeno estabilizada e apenas levemente abalada por causa de uma confusão de sentimentos (uma paixonite por um amigo que ficou mal resolvida e outras coisas que eu não contei aqui no blog porque sim), me surgiu a FOSSA NÚMERO 2

Esse moço, gente... Esse moço eu poderia falar TANTO sobre ele, TANTO sobre a história TANTO sobre o quanto ele me fez ficar descontrolada em tantos aspectos numa fase em que eu tava só o título de um capítulo do "O Lado bom da Vida" - mas não vou perder tempo contanto essa história que eu ainda não posso contar inteira.

Basta vocês saberem que o fato dele ter a risada mais agradável do mundo, o beijo mais gostoso da região de São Carlos e ser lindo feito uma versão baixo orçamento do Bradley Cooper me balançou de um jeito que eu voltei a ter certa esperança em relacionamentos.

Meu Deus, como era bonito o filho dum cu. Isso é revoltante.


Eu tava errada, né? Se eu tivesse prestado atenção no Belchior (ou na irmã do Pirituba, minha amiga psicóloga) teria sacado na época que o amor é uma coisa mais profunda que um encontro casual... Mas eu foquei mais na parte de deixar a profundidade de lado e querer ficar colada à pele dele noite e dia, fazendo tudo e de novo dizendo sim à paixão e tomei bonitinho no cu quando as coisas deram errado.

Paciência. O ponto dessa história foi o dia em que eu FINALMENTE saquei que tinha tomado no cu. De novo. Mais uma vez.

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10 de julho de 2013 caiu numa quarta.
Eu estava há uma semana sem receber notícias nem do meu (até então) pseudo-namorado e da minha (até então) melhor amiga. Nenhum dos dois, morando em São Carlos, falava comigo ou respondia as minhas mensagens e eu não fazia a mais puta ideia do porquê. Eu tinha tentado, em vários momentos durante esses dias, mandar mensagens, recebia a confirmação de leitura e nenhuma resposta. Eu tava bem puta da vida. BEM PUTA, mas jamais tinha passado pela minha cabeça que a razão porque eu estava sendo ignorada pelos dois era o motivo que foi (talvez vocês tenham suas teorias e talvez elas estejam certas). Até 10 de julho de 2013.

Eu tava na USP, num dia que tinha tudo pra ser comum, quando ouvi duas meninas na fila do bandejão comentando sobre o fato de que uma delas tinha sofrido o famoso ghosting. E cara, aquilo foi tipo um TESTE CAPRICHO da vida real pra mim. A mina ia contando a história e eu, atrás dela, só ia marcando X nas coisas que estavam acontecendo comigo. 

Eu gabaritei a porra do teste e finalmente a ficha caiu e nem o famoso strogonoff de pombo do bandejão me animou. Eu larguei a fila, peguei o primeiro ônibus que passou (e fui parar bem longe de casa, porque não era o meu ônibus, daí tive que ir até o metrô, o trem e depois pegar outro ônibus, puta volta, puta que pariu) e, depois de ter vivido quase todas as fases do luto dentro do transporte coletivo de São Paulo, mandei uma mensagem pra Carregada (minha outra melhor amiga, a de São Paulo) perguntando se a gente podia se ver depois do trabalho. Ela topou, é claro. Amiga maravilhosa.

Daí passei no mercado, comprei uns doces e fui lá pra casa dela, disposta a falar mal do Bradley Cooper fajuto até a raiva passar. Cheguei na casa dela, trocamos meia duzia de amenidades, falamos algumas baboseiras e eu comecei a contar sobre as meninas do bandeijão. E minha amiga (grande amiga, amiga maravihosa) foi fazendo o que as amigas fazem e lembrando de coisinhas que eu tinha contado, coisinhas que ajudavam a comprovar a teoria.

E aí foi que o barraco desabou.

Eu comecei a chorar. Chorar muito. Chorar de boca aberta. Chorar de um jeito que eu não tinha chorado (em público) desde o funeral do meu avô (incluindo aí ohos secos no funeral da avó, no fim do namoro, quando o Palmeiras foi rebaixado - duas vezes - e outras situações que poderiam finalmente descambar em choro de boca aberta na frente de conhecidos) e, por isso mesmo, um choro que eu tava guardando desde 1998.

Foi lindo.

Menos pra Carregada que ficou sinceramente assustada comigo totalmente descontrolada sentada na cama dela e chorando - coisa que ela nunca tinha me visto fazer, nem por coisas muito mais sérias. Carregada também tem essa coisa de não saber demonstrar muito bem as emoções (e por isso que a gente se dá bem), então era uma destemperada chorando e uma em modo tela azul sem saber o que fazer. Eu só parei de chorar quando prestei atenção na cara dela e percebi que ela não sabia MESMO o que fazer comigo ali - e parei de chorar pra rir histericamente, o que também não foi muito legal.


Quando eu finalmente consegui me acalmar, uns 10 minutos depois (ou 1h, vocês nunca saberão), a gente comeu uns docinhos e eu fui embora pra minha casa, bem mais tranquila, porém ainda bem cabreira com a situação toda.


13 de julho de 2013 caiu num sábado.
Eu tinha voltado ao meu estado natural de "gracinhas e piadinhas sobre minhas desgraças" e publiquei alguma coisa no Facebook fazendo gracinha com um amigo aleatório do twitter que tinha caído naquelas páginas "Melhores tweets no facebook" ou equivalentes. E a amiga que estava sumida postou uma coisa SUPER mal educada nos comentários, dando uma indireta que eu entendi que era sobre o meu "relacionamento" com o Bradley com restrições orçamentárias. E o filho da mãe CURTIU o comentário.

E foi ali, somente ali, por causa de uma curtidinha passivo-agressiva num comentário totalmente agressivo e em público, que eu saquei que não tinha volta. Nem o namoro, nem a amizade, nem possivelmente a minha confiança em homens, mulheres e seres sencientes. Em 13 de julho eu não chorei - eu gastei todo o drama, mas saquei que as coisas seriam diferentes - e iam precisar mudar MUITO pra ficarem de um jeito satisfatório.

Olhando em retrospecto eu hoje sei que aquele comentário rude foi o começo de uma mudança (pra melhor, eu creio) que cresceu em forma e deu resultados principalmente quando eu fui pra terapia. E foi ali, entre 10 e 13 de julho de 2013, que eu reconheci DE VERDADE os meus amigos. Não era amiga a moça que só me procurava pra falar de coisas erradas que tinha feito porque "eu não ia julgar". Não era amigo o cara que era lindo feito o Bradley Cooper, me beijava de um jeito que me deixava sem conseguir raciocinar por alguns minutos, mas não era capaz de ceder em NADA pra ficar comigo. Mas era amiga a moça que me recebeu em casa no meio da semana, depois do trabalho, me ouviu reclamar e me viu chorar de boca aberta, tentando me acalmar e botar pra fora tudo o que eu tava sentindo, mesmo sendo possivelmente uma situação muito estranha pra ela. Era amigo o cara que, naquele final de semana, pegou a mim e a essa amiga, e nos levou pra fazer um rolê cilada qualquer só pra eu não ficar em casa me roendo de raiva. Era amigo o moço que, mesmo estando há quase 1000 km distante de mim, tentou de todos os jeitos saber como eu estava e se eu precisava de alguma coisa, e me ouviu falar sobre o quanto eu estava destroçada sem fazer nenhuma piadinha sobre isso. Foi amiga a moça terapeuta que, mesmo tendo me avisado um milhão de vezes o potencial de cilada dessa relação, não disse "eu falei, né?" nenhuma vez e se preocupou genuinamente com o meu bem estar mental.

Eu perdi uma "melhor amiga" e um "namorado", possivelmente perdi um pouco a dignidade por ter sido ranhenta e chorona na frente de uma amiga, com certeza perdi um pouco da minha fé na humanidade... Mas eu só continuei de pé, só não me mandei pra uma caverna, só não meti o pé e rompi todos os laços de vez porque eu tive ao meu lado essas pessoas maravilhosas que eu até hoje chamo de amigos e que me fizeram superar o golpe tão tenso que o 13 de julho de 2013 me deu.


Eu guardo pouca mágoa dessa história, sendo TOTALMENTE sincera e espero que os dois envolvidos estejam muito felizes onde quer que estejam. Espero mesmo. De verdade. Porque eu tô.
Ao mesmo tempo em que eles me causaram uma dor terrível me mostraram quem são as pessoas que estão comigo pra segurar o rojão. E hoje eu já até choro na frente dos outros se eu achar necessário, ó que evolução!

Mas muito bonito mesmo o babaca. Puta merda.




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UPDATE: Gente, foi 2013. Essa merda de postar sem revisar ainda vai me causar inconvenientes. Hahahaha

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sometimes it's hard to keep on running



Eu tenho picos de energia onde eu simplesmente não consigo ficar quieta no meu canto sem fazer nada. Eles vem do nada e vão embora do nada, eu geralmente não consigo prever e muito menos controlar. Sempre foi assim desde que eu me entendo por gente e acho que vai ser pra sempre. Quando eu terminei o meu primeiro namoro, lá em 2010, eu comecei a gastar essa energia sendo djóvem clichê: Saindo sexta feira de casa, me acabando de dançar na rua e voltando totalmente morta pra casa. Foi uma boa época e teria dado muito certo se eu - no fundo - não odiasse ficar fora de casa a noite.
Daí que lá pra 2011, quando eu já tava "sossegada" e num relacionamento marromeno estável (embora informal) com o Pirituba, eu comecei a procurar atividades pra gastar meu tempo elétrico.

E fui pra Yoga.

Eu queria ficar calma, eu queria fazer alguma atividade física, eu queria ser capaz de fazer algumas coisas com meu corpo que seriam interessantes pra minha nova vida de solteira e a Yoga parecia uma atividade que preenchia esses requisitos. Então, munida da minha carteirinha do clube, fui fazer uma aula de yoga.

No primeiro dia o "professor" implicou com minha respiração e disse que eu não sabia respirar - e, vamos combinar, se eu não soubesse MESMO respirar eu não teria vivido 26 anos nessa indústria vital - o que me deixou bem cabreira, porque... Né? Rapaz, não saber respirar é de uma incompetência ímpar.
Daí depois que eu aprendi isso (e, juro pra vocês, não foi tão fácil quanto eu esperava - mas isso provavelmente foi culpa também da minha dificuldade em aceitar que eu não sabia fazer um negócio tão básico e vital. Se eu tivesse sido mente aberta teria sido mais fácil!) as coisas ficaram melhores porque o resto é tudo questão de alongar, respirar, ficar uns segundinhos numa posição incomum e pá: Relaxamento, estralinhos pelo corpo e aquela sensação marota de que, caso você precise, saberá fazer algumas coisas sem sentir dor depois. Muito útil.

PORÉM...

Eu não tava acalmando. Eu não tava gastando minha energia acumulada. Eu não tava nem conseguindo botar minhas mãozinhas no pé estando em pé com as pernas totalmente esticadas - e talvez por isso eu não tava acalmando, aff.
E aí eu parei (por isso e porque decidi largar a faculdade de História e prestar vestibular de novo, né? Mas aí é outra história).

Nesse período eu tentei: Boxe, muay thay, aulas de forró, aulas de desenho e nada. Já tava achando que somente futebol, praia e F1 me dariam a tão necessária paz de espírito pros dias de pico de energia.


Eu comecei a correr em 2013, quando comecei a trabalhar na Cidade Universitária da USP e passava o dia inteiro lá, meio período trabalhando, meio período sem fazer nada e, à noite, estudando.
Nesse tempo que me sobrava entre o trabalho e a aula eu tinha várias opções: Estudar, ir ao cinema, me enrolar em algum puff na FFLCH e tirar uma soneca, dar um mergulho na piscina... Sei lá. Várias opções. A USP é um lugar maravilhoso onde eu consigo me ocupar o dia todo, se quiser.
Talvez não coincidentemente foi ao mesmo tempo em que comecei na terapia e comecei a perceber que meus picos de energia coincidiam com os momentos de emoção intensa que eu não conseguia demonstrar. Eu ficava muito feliz e ficava muito elétrica. Eu ficava muito irritada e ficava três vezes mais elétrica. Eu ficava triste e queria... ok, quando eu ficava triste eu só queria deitar na cama e assistir Star Wars, ou reler a saga Harry Potter. Mas todas as outras emoções intensas me faziam ter esses picos de energia.

Daí não sei o porquê, mas um belo dia na terapia eu voltei pro tempo do Ensino Médio em que eu ODIAVA ter que correr nas aulas de educação física porque não via sentido naquilo e entre várias das discussões a Terapeuta do Capeta meio que sugeriu que eu deveria tentar correr quando estivesse com raiva, nem que fosse pra passar mais raiva ainda e focar em alguma coisa que eu pudesse controlar (já que se eu estava com raiva por estar correndo sem sentido... A raiva passaria assim que eu decidisse parar de correr, veja bem). Fez sentido pra mim.


Desde então eu tenho fases de corrida. Nas férias, por exemplo, eu dificilmente saio pra correr. Agora, trabalhando feito uma mula, eu dificilmente saio pra correr. Mas em 2014 e, principalmente, em 2015, eu cheguei muito perto de sentir o que as pessoas chamam de BARATO DE CORRIDA: Eu saia praticamente todos os dias, nem que fosse por 30min, nem que fosse aqui na Vila, nem que fosse mais pra caminhar ao invés de correr e nem que eu tivesse que parar a cada 5min pra cumprimentar algum vizinho.

Mas eu não sou disciplinada com minhas corridas, sabe? Eu não tenho uma rotina de corrida, eu não conto o tempo, nem os quilômetros que fiz, nem tenho vontade de me inscrever em corridas de rua e essas coisas todas. Correr pra mim é um hobby, algo que eu ainda faço quando preciso liberar energia acumulada e que surpreendentemente me acalma - não mais substituindo uma raiva pela outra, mas me dando tempo pensar nas coisas que estão me irritando e fazer aquele famoso filtro de separar o que dá pra mudar e o que a gente só tem que aceitar mesmo e cabô (e, adivinhem: Quando eu falei isso pra terapeuta no ano passado a grandecíssima filha da mãe me deu um sorrisão e falou "Por que você acha que eu te falei pra fazer isso, kiridinha?" Uma grande escrota minha ex-terapeuta, né? Um beijo pra ela!). Então, de fato, a corrida me acalma.

E a grande liberação de endorfina não é mau negócio, te garanto. É maravilhoso chegar em casa depois de correr, tomar uma ducha e relaxar fazendo qualquer outra coisa. Não tô aqui tentando fazer uma "evangelização" sobre os benefícios da corrida e não vou falar pra vocês comprarem um tênis com umas trinta cores difentes e que custa no mínimo uns quinhentos paus. Tô só, como sempre, aproveitando o espaço pra falar um pouco mais sobre mim, sobre o que me acalma e o que me faz gastar algumas horinhas da semana - além de também render algumas histórias boas, tipo dia desses, que eu sai pra correr aqui perto de casa à noite, um cara DO NADA começou a correr do meu lado, me deu um medão absurdo, eu tive que dar um pique, o cara continuou me seguindo e, quando eu tava na esquina de casa e já tinha decidido parar pra enfrentar o babaca (e, se preciso fosse, gritar mais que a Syndel), ele só mandou um "Moça, sua CNH caiu, tava tentando te devolver!" (babaca, né? Puta merda, eu tava de fones, ouvindo minha playlist pra correr feito a Phoebe, ele não poderia ter BALANÇADO O DOCUMENTO FEITO UMA POLAROID pra eu ver que ele não tava tentando me assediar?). Enfim, ISSO É OUTRA HISTÓRIA. 

Então, pra moça do Terapia em Blog que pediu um post sobre corridas, ei-lô aqui! hahaha
Espero não ter decepcionado se você esperava algo cheio de dicas, referências, instruções pra começar a correr e tal... Sair pra correr, como praticamente tudo o que eu faço simplesmente porque gosto de fazer, geralmente envolve zero planejamento da minha parte. Eu só vou lá e faço: Boto umas musiquinhas legais, corro por meia horinha, penso numas babaquices que me deixaram destemperada durante o dia e pronto cabô. 

Eu só torço pra que vocês, assim como eu, tenham ESSA COISA que permite que vocês voltem ao equilibrio e que, de preferência, não seja pré-programado tipo futebol, F1 ou minhas visitas eventuais ao litoral de São Paulo. ♥

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mini Romance 12 #Final

No capítulo anterior de "Eu me apaixonei pela pessoa errada e ninguém, nem eu mesma, sabe o quanto estou sofrendo porque guardei todos os sentimentos e fingi que eles nunca existiram", eu me recuperei dignamente do pior fora que levei na vida, saí com um sósia do presidente do Palmeiras e enchi a barriga de bolo de aniversário, salgadinhos e refrigerante a ponto de falar "Ah, beleza. Peraí que vou dar um mijão" quando a história estava a ponto de se resolver.

É aqui que recomeçamos.

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"Ah, beleza. Peraí que vou dar um mijão"

Dois minutos depois (eu realmente fui fazer xixi, sabe?), a gente retomou a conversa, ele me explicou como era o lance budista e eu disse "Preciso tirar várias dúvidas, a gente pode se ver?" e ele topou, é claro.

Essa parte eu gosto de chamar de "O começo do fim do descaralhamento".

Nós fomos pra USP (pra onde mais?), conversar e comer (fazer o quê mais?) e passamos pelo menos umas duas horas comendo e falando de assuntos ridículos, sem chegar no único importante "COMO ASSIM VOCÊ DE REPENTE VOLTA COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO ME DIZENDO PRA GENTE TENTAR DE NOVO, SEU DOENTE?". Aí, quando eu entrei no carro dele pra ir embora, encenamos o meme do "eu só acho que" da vida real, comigo sendo a pessoa que fala "eu só acho que" e ele sendo quem ouve pacientemente duas looooooongas horas de perguntas, comentários e piadinhas envolvendo o budismo, minha bexiga e o tanto que eu curti a sinceridade dele, embora eu não estivesse preparada pra receber tanta sinceridade assim.

E aí eu vou correr um pouco as coisas porque a conversa e a conclusão que tiramos dela dizem muito mais respeito ao Monge e ao que ele sentiu/viveu naquela época do que ao que eu posso contar numa mesa de bar/num post de blog.
(Esse parágrafo é especial para a minha Terapeuta do Capeta, que sabe exatamente o porquê dele estar aqui)

Daí que lá pra junho eu tava completamente descompensada, porque eu tinha descoberto que não tinha sido mais uma vítima da Associação dos Caras Canalhas e tava apta a fundar a Associação das Moças que foram trocadas por Deuses e - pior de tudo - eu continuava apaixonadinha pelo cara, apesar de todos os meus esforços contrários. Entrei numa fossa absurda, a terceira pior delas, e fiquei num estado de GELECA EMOCIONAL até a Irmã do Pirituba, minha amiga psicóloga, mandar um "É o seguinte, kiridinha, pega aqui o endereço dessa mulher, vá até lá, pague alguns reais por mês e conte para ela tudo o que você está sentindo e não quer contar pra gente por algum motivo bizarro".
E eu fui.
E aí voltei a escrever (coisa que eu tinha parado de fazer), voltei a sair com pessoas (coisas que eu, definitivamente, tinha parado de fazer) e passei a lidar de um jeito até que bem equilibrado com algumas coisas que eu tinha pra resolver comigo mesma, muito além do Monge - Mas a terapia é assunto pra outro post, vamos voltar pro Monge.

Pro fim do ano, quando eu já conseguia falar com o Monge sem querer morrer feito o Didi (eu só queria furar meus olhos pra não poder ler as mensagens dele, morrer já tava meio extremo), a gente se viu e combinou o melhor lance que eu já combinei com uma pessoa de verdade: Sinceridade total e zero joguinhos.
Os termos desse acordo são só pra gente e eu não vou discutir num blog, mas ele é MUITO útil. MUITO MESMO. Tanto que atualmente eu falo com o Monge dia sim e dia também, tô bem resolvida com tudo o que sinto, senti e por ventura posso vir a sentir um dia e a ideia de que ele é a ÚNICA pessoa (incluindo meus pais) com quem eu consigo ter uma conversa 100% franca não me assusta mais. E sabe a melhor parte? Zero sentimentos sexuais. Amorosos eu ainda tenho porque, caras, ele é uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci na vida. Mas ele tá bem mais pra "amigãozaço com quem eu posso falar de tudo e que vai falar de tudo comigo" do que pra "amigão pra quem eu falo algumas coisas e que me fala algumas coisas porque, no fundo, a gente quer se pegar loucamente".

O cara é MESMO Monge, sabe?
Não era piadinha. Não era brincadeira. Não era a pior desculpa do mundo e ele encerrou a carreira de garanhão/stalker/pegadorzinho comigo. Saiu por cima, né? Acho que foi um final digníssimo e não tinha como ele melhorar #meujeitinho #sinceridades.
(esse parágrafo está aqui apenas para deleite do próprio Monge, que vai entender o porquê desse parágrafo estar aqui)


Eu nunca coloquei uma tag aqui pro Monge, nem pra nenhum cara com quem saí, mas eu tenho certeza que ele sabe quando escrevo sobre ele. Mesmo quando não fica óbvio. Mesmo quando eu não faço piadinhas sobre ser trocada por um homem morto de 200kg – mas eu espero, do fundo do meu coração, que ele reconheça quando falo sobre ele aqui, principalmente quando não cito Buda. É esse o tipo de amizade que a gente tem agora: O cara passou de stalker pra paixonite, depois pra um ponto censurado na minha história e agora ele tem o lugarzinho dele, beeeeeem atrás do Amigo com Alma Russa (esse é imbatível, é o melhor amigo do universo ♥) e um pouquinho atrás do Pirituba, na sólida terceira posição na lista (em construção e constantemente atualizada) das pessoas que eu curto pra caramba e quero ter sempre por perto.

Tá bom ou não tá?

quarta-feira, 13 de julho de 2016